Issiz Adam & Bolo de Cenoura e Canela

É bem difícil falar de Issiz Adam sem contar o filme todo. Mesmo se fizesse isso você teria vontade de assistir. Iria correr à Locadora ou ao torrent mais próximo e pedir pelo amor de deus preciso.
Uma amiga minha disse que “Issiz Adam é daqueles filmes que a gente tinha só no pensamento e de repente alguém foi lá e fez.” (Morganna querida você disse o que eu sempre pensei e nunca consegui dizer). E é bem assim. 99,9% das pessoas já passaram por isso, seja como Alper ou como Ada.
Pesquisando sobre a língua Turca fui atrás do verdadeiro significado do título do filme. Intrigava-me a tradução para o inglês como ‘’Alone’’ (“Sozinho” em português). Foi então que descobri que “Issiz Adam” quer dizer “Homem Abandonado” e, ainda, “Adam” significa “Minha ilha” – enquanto “Ada”- que é o nome da personagem da moça no filme – significa apenas “Ilha”. Tire suas próprias conclusões. Depois de assistir ao filme você vai sentir o porque disso tudo.

Mas por quê as pessoas choram tanto sobre coisas que já sabem?

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O filme se passa em Istambul. Alper é um Chef e tem seu próprio restaurante que, curiosamente, se chama “Leblon” – que é um local que realmente existe em Istambul. É o típico homem sozinho e solteiro, bem sucedido em sua carreira, que sai com prostitutas e tem uma vida , digamos, intensa e sem intimidade com ninguém, além da que se pode ter vivendo assim.

Ele coleciona discos de vinil. Antigos e raros e foi numa dessas idas dele aos Sebos de discos e livros que ele se depara com a Ada. Bem aquela coisa de quando se conhece alguém e bate aquele interesse incrível. Mais conhecido como ‘’amor a primeira vista’. Ada banca a durona com ele, foge de tudo que é jeito, mas ele mesmo assim vai atrás dela. Talvez ele visse ali algo que nunca viu antes. Amor. Ada é uma moça bacana, livre, que tem uma loja de fantasias para crianças chamada “Pequenos heróis”.

Então começa um namoro bem legal, daqueles que você se pega rindo sozinho para a TV, ouvindo uma música ou olhando o mar. Ada ensina a ele o que é amar de verdade e principalmente, se deixar amar por alguém. Ao mesmo tempo é possível se notar que ele é um cara sensível. Ele tem um amor pelo que faz, a escolha dos ingredientes, a sensibilidade pelas músicas que ouve, o modo como observa as pessoas que comem a comida que ele faz…

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Segure um vegetal em sua mão e ele lhe diz quanto tempo precisa cozinhar.
Você só tem que aprender a olhar, ver e ouvir.
Você não pode colocar tudo em um prato.
Uma pouco disso, um pouco daquilo. De jeito nenhum.
Isso seria vulgar e ignorante.
Não acredite quando dizem coisas como jogue tudo junto e mexa.

Nesse meio tempo a mãe dele vem visitá-lo e as duas acabam por sair juntas e se dão muito bem. Tudo corre perfeito.
Talvez seja toda essa ‘coisa boa’ que faz com que ele comece a sentir tamanha estranheza do tipo “eu não mereço isso”. Pois é aqui que começa o drama em si. Ele termina com Ada num momento em que estava tudo MUITO BEM. E a pessoa não entende, chora, se descabela, vai embora e segue a vida.
E ele? Como ficou?
Quatro anos depois, um grampo de cabelo, uma entrada de cinema. Café, verdades e mentiras sobrepostas. Olhares que abafam as palavras e dizem tudo o que realmente se passou e sentiu. Um dos abraços mais bonitos do cinema é o que temos aqui. Assista acompanhado de uma bela caixa de lenços de papel.
Não achei nenhum trailer com legendas no Youtube, por isso deixo o link para ser assistido no IMDB. Com boa qualidade e legendas em inglês.

A trilha sonora é inexplicável. Perfeitamente encaixada em cada cena que ela aparece.

A receita de hoje é um bolo de “Cenoura e Canela”, que Alper faz e leva a Ada durante o período que está tentando conquistá-la. A receita não é contada no filme, pesquisei em alguns sites de comida turca (eu e o Google Translator) e fiz uma junção de algumas receitas que acabou nessa:

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Bolo de Cenoura e Canela

Tempo de Preparo: 120 min
Tempo de Forno: 50 min
Porções: 8

O que você vai precisar?

  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 2 xícaras de açúcar mascavo
  • 4 ovos
  • 1 xícara de óleo (usei de Girassol)
  • 1 colher de chá de canela em pó
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 3 xícaras de cenoura ralada – nesse caso eu usei 3 cenouras grandes e após raladas somaram 3 xícaras. Meu conselho é: vá ralando e medindo até atingir o que precisa.

Como fazer?

  1. Rale as cenouras. Separe as gemas das claras e bata as claras em neve. Reserve. Num outro recipiente junte as gemas e o açúcar mascavo. Bata bem. Junte o óleo e deixe que misture completamente ao creme que se formou do açúcar e gemas. Vá juntando a farinha de trigo aos poucos. Nesse momento você acha que aquilo tudo é um cimento e que não vai dar certo. Prossiga com fé. Junte a canela e as cenouras raladas. Interessante que ao juntar as cenouras à massa começa a ficar mais maleável, então acrescente o fermento. Incorpore com cuidado as claras em neve. Unte uma forma com manteiga e farinha de trigo.Leve ao forno de 40 a 50 minutos. Tudo depende do forno. Faça o famoso teste do palito, se sair seco, está pronto. Muito importante: ligar seu forno logo que começa a fazer o bolo. Temperatura média. Sirva com uma bela xícara de café fresco. Obs: eu escolhi bater o bolo no processador, porque ele é BEM mais potente que a minha batedeira – que ainda não é uma Kitchen Aid – e fazia algum tempo que tinha curiosidade em usá-lo para fazer um bolo.

12 Comentários

  • Morganna 30 de outubro de 2011 (12:36)

    Hey, Sara! Eu me identifico tanto com esse filme, ainda mais com o Alper e a fuga dele. Depois que li os significados das palavras, as coisas começaram a fazer mais sentido do que já fazia. É um filme lindo, lindo. Gostoso de ver e de sentir. Quanto ao bolo, nunca fui boa na cozinha, mas assim que decidir me aventurar nela, queria experimentar fazer esse de cenoura e canela. adoro as duas coisas e a junção delas ficou bem bonita nas fotos! Parece delicioso!
    Ah, antes que eu me esqueça, a proposta do blog é maravilhosa! 🙂

  • Pipa 30 de outubro de 2011 (12:37)

    Sarinha, preciso desesperadamente desse filme e desse bolo, menina! =] E ainda não leva leite, ou seja, eu posso comer!! =] Como que eu acho esse filme, hein?

    beijos!
    Pipa

  • poetriz 30 de outubro de 2011 (13:18)

    Ainda não tinha vindo aqui comentar, mas achei a idéia desse blog sensacional!
    Quando assisti esse filme fiquei morrendo de vontade de comer o tal bolo.
    Mas confesse, canela e cenoura combinam mesmo?

  • Sara Graciano 30 de outubro de 2011 (13:24)

    Paula te mandei uma mensagem no Face sobre o filme. Sim! Ele não vai leite, sendo assim, podes comer tranquilamente. =)

  • Sara Graciano 30 de outubro de 2011 (13:26)

    Flavia, sabes que eu sou suspeita para falar porque AMO os dois ingredientes e acho que a junção deles deu muito certo. Posso te dizer que a canela é mais poderosa no sabor que a cenoura, então temos um bolo com um bom tom de canela com um toque de cenoura. Me lembrou muito os bolos integrais que comemos em lojas de produtos naturais, acredito que pelo açucar mascavo também. Depois se fizer me conta o que achou. Bjs grandes =) (e muito obrigada pelo elogio sobre o blog ^^)

  • Dai 31 de outubro de 2011 (10:40)

    Eu também estou embasbacada com o significado das palavras. Sozinho já dizia algo sobre o filme, mas o original é mais honesto – ser ilha nem sempre é uma escolha, é um fardo, um sentimento entrelaçado à alma. Lindo filme, receita ótima, senti o perfume da canela daqui…
    beijos!

  • Sara Graciano 31 de outubro de 2011 (11:59)

    Dai, fiquei viajando depois sobre o nome do filme, até não coloquei no post pq já havia postado. Algo me soou também como “Ilha deserta” – talvez era assim que ele se sentia, como numa ilha deserta, onde só ele existia e não era possível ”levar” mais ninguém. Eu e minhas análises viajantes, haha. Bjs amiga!

  • Lylia 1 de novembro de 2011 (10:56)

    Oi Sara,
    Adorei conhecer seu blog, pura poesia.Duas coisas que adoro: cinema e gastronomia.Voltarei sempre.
    Bj,
    Lylia

  • Avental e Aventuras 1 de novembro de 2011 (17:01)

    Oi Sara,
    Não conhecia esse filme. De ler seu post fiquei doida de vontade de assistir!! Será que acho fácil em locadora???
    E esse bolo deve ser divino! Deve ficar ótima essa combinação de cenoura e canela…uma hora vou fazer.
    Estou adorando seu blog! Sucesso 🙂
    Bjos
    Tania

  • Samara 11 de novembro de 2011 (05:20)

    Navegando, encontrei sei blog! Adorei! Fiquei com vontade de assistir ao filme (já está na minha lista) e fazer esse bolo. rs Parabéns pelas postagens!

  • Bergamo 15 de novembro de 2011 (08:41)

    Hummm…esse bolinho nessa chuvinha…
    Bj 😉
    Bergamo

  • Diário de uma paixão & Risoto de Beterraba » Cozinha em Cena 25 de agosto de 2014 (11:39)

    […] a vida trás. Pois é. Esse e Blue Valentine são meus dois filmes clássicos para chorar (além de Issiz Adam e 2046 – esses dois para chorar compulsivamente, daquele tipo que beira uma falência total […]

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