“Ela” & Bruschettas de Tomate e Manjericão

Eu só queria que você soubesse que sempre terá uma parte de você em mim.
E sou grato por isso.
Seja lá quem você se tornou…
Onde quer que esteja no mundo, estou te mandando amor.

Se eu posso recomendar algum filme da safra Oscar deste ano, sem dúvida será Ela, de Spike Jonze. Uma metáfora sci-fi sobre o valor das relações humanas nesses alquebrados tempos em que a realidade é algo que, de tão exposto e aparente, degenera. ‘Ela’ é um filme sobre conhecer e amar alguém num futuro próximo, que nos convida à autocrítica acerca de nossos relacionamentos desde já.

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Quando ‘ter um amor para recordar’, na maioria das vezes, é deixá-lo fotogênico nas vitrines das redes sociais. E vivemos o cerco das molduras que nos cobram, de nós e dxs parceirxs, um ideal impossível. Quantas vezes as pessoas autocensuram seus momentos de vida comum em prol de uma realidade maquiada? A beleza das folhas de alface presas no canto do dente, das páginas amareladas, onde?

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“Ela” mostra o quanto a pedagogia do amor que nos é ensinado nos torna infelizes contumazes, já que todos temos de ser perfeitos e lineares… Como aceitar a diferença de alguém que não tem a aparência perfeita, ou, como no caso do filme, sequer tem corpo?… E, por outro lado, se todas as pessoas são plastificadas e previsíveis, se todos correm atrás da cordialidade falsa e superficialidade da aparência, de onde extrair relações espontâneas e REAIS senão da inteligência artificial?

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No filme observamos que, num futuro próximo – ou agora, quem sabe? – precisaremos terceirizar nossas emoções por total falta de apego à falha e à espontaneidade. Cartas de sentimentos ‘verdadeiros’ serão encomendadas em empresas especializadas. Amores e amizades honestas só irão brotar na aleatoriedade e desinteresse das únicas conversas nas quais seremos humanos e nos permitiremos mostrar como de fato somos: com nossos sistemas operacionais, que devassam nossos arquivos a ponto de nos saberem pelo avesso.
Em minha opinião, “Ela” é genial por tocar o dedo fundo nessa ferida: de que quando a vida só for válida se consumida com açúcar em excesso, é importante lembrar que a alegria muitas vezes tem um gosto agridoce. Desde “2001: uma odisséia no espaço” não via nossa humanidade tão competentemente posta em cheque.

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Se alguém ainda disser que este é um filme sobre um cara feio (oi? Casa comigo, Joaquin, seu lindo!), nerd (o/) e carente que se apaixona por uma máquina, favor ler mais livros, assistir menos TV e amar mais – seja quem for, tá valendo!.

Trailer:

Resolvi combinar o filme com Bruschettas clássicas, pois o filme tem muitos tons de vermelho e me lembrava muito disso a cada cena. A simplicidade do sabor da melhor combinação do mundo: tomate, majericão, azeite e pão. Assim como deve ser o amor: simples. Corri pegar o livro do Jamie Oliver na Itália para fazer exatamente como deve ser. Vamos nessa?

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Bruschettas de Tomate e Manjericão

Preparo: 15 min
Cozimento: 5 min
Serve: 2

Ingredientes

  • 2 tomates maduros
  • Folhas picadas de um maço de manjericão fresco
  • Sal marinho
  • Pimenta do reino moída na hora
  • Azeite de oliva
  • Vinagre branco ou de ervas de boa qualidade
  • 1 Pão italiano (fiz com francês)
  • 1 dente de alho

Modo de Fazer

  1. Corte o pão com mais ou menos 1 cm de espessura. Toste as fatias em uma grelha ou frigideira dos dois lados. Esfregue o dente de alho duas vezes em cada pão. Borrife azeite de oliva e uma salpicada de sal.
  2. Lave bem os tomates, tire a parte de dentro (aquela parte q é meio branquinha) e as sementes também. Corte em pequenos cubinhos simpáticos.
  3. Em uma tigela, coloque o tomate, as folhas rasgadas de manjericão, sal, pimenta e regue com o azeite de oliva e o vinagre. (coloquei alho picado também, pq eu amo alho, mas fica a seu gosto).
  4. Cubra cada fatia de pão com essa mistura e está pronto!

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