Hiroshima mon amour & Petits soufflés de couve-flor

Poderia dizer que a minha paixão pela cultura oriental começou quando li pela primeira vez, sentada na grama da Faculdade, o livro “O amante” de Marguerite Duras. Eu já tinha uma pré-disposição a amar os orientais, desde pequena, porém, depois de ser levada pelas palavras e o envolvimento contado no livro entre uma francesa e um chines eu logo me vi encantada. Foi então que, na mesma época, eu tive o prazer de assistir pela primeira vez a “Hiroshima mon amour” (roteiro adaptado de um livro de Marguerite Duras) – agora mudava um pouco…era um japonês envolvido com uma francesa. Tudo me diz que tem muito da vida de Marguerite ali. Cada detalhe, cada sensação e sentimento. É tão real.

Como com ele, o esquecimento começará por seus olhos.
Igual.
Depois, como com ele, sua voz será esquecida.
Depois, como com ele….ele abrangerá você inteiro…pouco a pouco.
Você se tornará uma canção.
Quem é ela?
Uma francesa.

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Uma atriz em visita a Hiroshima a trabalho. Um arquiteto japonês que está sem a família na cidade. Apenas dois dias. Um amor que jamais será esquecido. O filme trata com tanta presteza a memória. As coisas que se quer esquecer e acha que se esqueceu, mas que voltam com tanta facilidade quando se toca nelas.
Acho interessantíssimo o modo como o filme se desenvolve, um grande “bafo” para a época que foi filmado. Fiquei pensando e analisando aqueles dois no bar e aquela mulher linda e francesa bebendo cerveja como quem precisa daquilo para poder desabafar. Não tinha limites, não haviam esconderijos para aquela conversa e aquela cumplicidade que se formava ali. É tão duro ter que esquecer.

É tão difícil falar do passado, mas ao mesmo tempo, é incrível como com algumas pessoas isso acontece sem nenhum planejamento, é espontâneo. E era assim que acontecia entre aqueles dois.

Também interessante e chocante, são as cenas iniciais, onde o diretor mostra imagens das catástrofes causadas pela maldita bomba atômica que por lá destruiu tantas vidas, deformou tantas pessoas, acabou com tantos sonhos. Além de ser um grito revoltado contra o acontecido, ele retrata a verdade das relações humanas no seu mais profundo modo.

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– Você inventou tudo.
– Nada.
– Assim como essa ilusão existe no amor…a ilusão de poder nunca esquecer…
– Eu tive, diante de Hiroshima… a ilusão de jamais esquecer, como no amor.
– Eu vi também os sobreviventes e os que estavam no ventre
das mulheres de Hiroshima.
– Eu vi a paciência, a inocência, a doçura aparente com que os
sobreviventes provisórios de Hiroshima
se adaptavam a um destino tão injusto…

A memória…que lembra tanto as coisas de Kar-wai. Não consigo deixar de assimilar obras da Nouvelle Vague francesa ao cinema de Kar-wai. Godard, Resnais… Fica aqui a dica, para quem não viu e para quem viu há muito tempo, como eu, vale a pena assistir novamente com outros olhos, talvez mais maduros e amaciados pelas memórias e a passagem do tempo.

Em homenagem ao diretor francês querido Resnais e a insuperável Marguerite Duras, hoje a receita tem toda uma coisa francesa…..

Petits soufflés de couve-flor

Prep Time: 60 min
Serve: 2

O que você vai precisar?

  • 400 g de Couve-flor
  • 150 g de queijo mussarela ralada
  • 4 ovos
  • 2 colheres de sopa de manteiga amolecida
  • 4 colheres de sopa de leite
  • 1 pitada de noz-moscada
  • 1 pitada de sal
  • Pimenta do reino a gosto

Como fazer?

  1. Separe as claras das gemas e bata as claras em neve com a pitada de sal. Cozinhe a couve-flor no vapor. Pique bem picadinha ou passe no processador. Junte à couve-flor as gemas, a manteiga, o queijo, noz moscada, pimenta do reino e o leite. Misture bem. Incorpore as claras em neve nessa mistura. Coloque em pequenos ramequins ou cocottes - dependendo do tamanho rende 4 ou 6. Forno pré-aquecido a 180º por 25 minutos. Na prateleira do meio dele, de preferência.

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