A árvore do amor & Panquecas sem glúten

O filme de 2010 do diretor chines Zhang Yimou fala sobre a China da época da Revolução Cultural (entre 1960 e 1970), começa contando sobre a lenda, que dá nome ao filme, de uma árvore que na realidade não gerava flores brancas, mas sim vermelhas, pois ali teriam sido enterrados heróis da guerra que nutriam a planta e geravam flores da mesma cor de seu sangue.
A graciosa Jing (Zhou Dongyu) é enviada com os colegas de escola para um ‘retiro’ no campo, pois o governo acreditava que dessa forma reeducaria seus jovens contra a ideia burguesa, convivendo com a natureza e a simplicidade da vida lá levada. Praticamente uma lavagem cerebral imposta pelo ditador Mao Tsé-Tung.
Na casa da família que a acolhe, Jing conhece Sun (Shawn Dou), um jovem estudante de geologia que está fazendo pesquisas por lá e da convivencia diária surge mais que uma amizade, os dois se apaixonam de forma doce e simples, como deveria ser o verdadeiro amor.

– Ainda tenho um ano de experiência.
– Vou esperar você por um ano e um mês.
– Minha mãe não vai deixar que eu namore antes dos 25.
– Então eu espero você fazer 25.
– E se eu não puder estar com você quando tiver 25?
– Então vou esperar por toda minha vida.

Interessante a forma como Yimou vai conduzindo o filme, onde não precisa expor sua indignação sobre aquele momento político com frases ou grandes diálogos sobre o assunto. A vida de Jing mostra o que tal momento da história fazia com os jovens e suas famílias na China da época. A jovem moça era o foco da família para a salvação da mesma. Teria que se formar professora, obter um bom emprego, senão sua mãe teria o mesmo destino do pai: a prisão. Preocupada com o destino de sua família, onde haviam mais dois irmãos menores, Jing não mede esforços para alcançar seu objetivo trabalhando pesado como se fosse gente grande e muitas vezes até, em atividades que deveriam ser exercidas apenas por homens.
Apesar de toda essa contextualidade política-social, o filme não foge de seu propósito: contar uma história de amor. Aquele amor que vai sendo construído aos poucos, com pequenos gestos, Sun demonstra tamanha preocupação com a pequena que enche nossos olhos e coração de alegria. Em uma cena singela e bonita, ambos atravessam um rio, cada um segurando em um lado de um graveto e com o passar da cena, a distância entre eles vai diminuindo de uma forma poética, até que, finalmente as mãos se tocam.
Revisitando a temática do amor impossível, Yimou por vezes lembra Romeu e Julieta, em outras deixa que os silêncios falem por si, simboliza com destreza a separação de um lado e outro do rio e confesso para vocês: a cena final é tão emocionante que faria até Mao Tsé-Tung chorar.

Trailer:

Escolhi fazer uma receita que fosse leve e bonita como o amor do filme. E o mais importante: que levasse frutos vermelhos como as flores nascidas na árvore que vimos na tela. O escolhido foi o morango, pois encontrei uns lindíssimos no mercado, meus olhos sorriram para eles e é o que teremos hoje: uma deliciosa panqueca feita com farinha de coco regada com uma guarnição de morango com mel. Vamos lá?
Poucos sabem, mas a farinha de coco é um belo substituto para a farinha de trigo. É uma alternativa bem mais saudável e tem diversos benefícios também. Para as pessoas que tem intolerância a lactose, é uma grande aliada para poder diversificar as receitas na cozinha. Por isso, hoje trago aqui uma receita para cafés da manhã gostosos, isento de glúten ou lactose e sem adição de açúcar. Tri bom pra você, que está de dieta =), tudo isso com um toque de morango, hortelã e mel.

Panquecas sem glúten

Preparo: 15 min
Cozimento: 15 min
Serve: 2

Ingredient

  • 1 ovo
  • 1 colher de café de adoçante culinário
  • 1/2 colher de café de óleo de coco
  • 2 colheres de sopa de farinha de coco
  • 1/2 colher de café de fermento em pó
  • 1 colher de sopa de água
  • 8 morangos cortados em cubinhos
  • 1 colher de sopa de mel
  • 1 colher de sopa de água
  • Folhas de hortelã

Modo de Fazer

  1. Panquecas: No liquidificador coloque todos os ingredientes (menos o fermento) e bata até obter uma mistura homogênea. Adicione o fermento em pó e dê apenas uma pulsada para incorporar. Em uma frigideira antiaderente aquecida, coloque um pouco da massa, deixe criar bolhar e vire delicadamente.
  2. Morangos: Em uma panela coloque os morangos, o mel e a água. Em fogo muito baixo, deixe que ferva até que o morango fique macio com uma calda grossa.
  3. Coloque as panquecas em um prato, regue com a calda de morangos e decore com a folha de hortelã. Pode ser servido com a calda quente ou fria, como preferir-
Sobre o autor

Sara

A dona da cozinha.

3 Comentários

  1. Sara, ainda não conhecia o filme nem a farinha de coco! Vou procurar os dois, fiquei curiosa. Beijos!

    1. Vivian, esse filme é uma doçura. É triste, mas lindo! Assista e depois me conte o que achou =)
      Sobre a farinha de coco, foi um achado, ela se comporta muito bem nas receitas. Assim como a farinha de amêndoa também, já usaste?
      Beijos!

  2. Passei por aqui pois estava curiosa para saber como os seus olhos leriam esse filme tão tocante. Palavras perfeitas, sarinha. Receita perfeita. Saudade grande de ti, já. Beijo!

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